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  • Marina Galeano

Laboratório culinário promove experiência multissensorial para crianças


Em parceria com o Ateliê No Escuro, equipe do Cozinha como Experiência desenvolveu série de oficinas no Sesc Avenida Paulista no início de julho

Um labirinto de aromas, cores, sons, texturas e sabores. Ao final da aventura, uma mesa repleta de comidinhas do dia a dia, em vários tipos de cozimento e consistência. Entre 2 e 5 de julho, no Sesc Avenida Paulista, a criançada foi convidada a explorar o universo dos alimentos de um jeito totalmente diferente.

Fruto de uma parceria do Cozinha como Experiência com o Ateliê No Escuro, o Laboratório Culinário Sensorial propôs duas atividades distintas. Às crianças de até cinco anos, acompanhadas dos pais, uma troca de papéis: eram elas as responsáveis por conduzir os adultos - de olhos vendados - pelo circuito e preparar um prato cheio de surpresas para que eles provassem juntos.

O “mundo” da cozinha apresentado a partir da perspectiva dos pequenos, encarregados de revelar aos familiares os segredos escondidos pelo caminho: o perfume do pé de manjericão, o cheirinho da camomila (“igual ao chá da mamãe”), o toque áspero dos grãos, o sabor de cada ingrediente cuidadosamente selecionado para encher a cumbuca.

Catarina, de 4 anos, se divertiu dando comida na boca dos pais e deixou sua mãe admirada. “Ela só escolheu alimentos que a gente gosta. Às vezes nem sabemos que os filhos têm essa percepção, essa sensibilidade”, contou Paula de Candia. “Durante anos eu dei comida na boca da Catarina e hoje ela deu para mim. Essa inversão de cuidados foi muito bacana”, acrescentou.

Outras famílias se surpreenderam com o fato de a molecada experimentar - e aprovar - coisas que geralmente recusa em casa. Teve quem jurou detestar abobrinha, mas mudou de ideia depois de degustar três versões do legume.

Um dos objetivos do Laboratório é, justamente, refletir sobre esse tipo de questão por meio das experiências multisensoriais. Na opinião de Mariana David, uma das coordenadoras do Cozinha, o “não gostar” de um determinado alimento, na idade deles, está muito mais ligado a uma cultura alimentar do que ao gosto propriamente dito.

“A gente precisa desconstruir essa ideia de paladar infantil. Por que falar que o paladar infantil é um paladar restritivo?”, questiona a psicanalista. “Na oficina, as crianças têm a oportunidade de provar a mesma comida em diversos cozimentos e consistências, o que faz toda a diferença.”

Para a garotada de 6 a 12 anos, a proposta era embarcar numa história cheia de mistérios e, com os olhos vendados, absorver os cheiros, as texturas, os sabores e os barulhos percebidos no escuro.

“Pensamos em uma estrutura divertida que abordasse a alimentação, mas também incluísse o escuro lúdico, para que as crianças pudessem experimentar de outras maneiras coisas que elas normalmente não experimentariam por livre e espontânea vontade”, explica Janaína Audi, uma das sócias do Ateliê. “Foi muito interessante observar a reação dos pais ao verem como seus filhos se relacionam com os alimentos.”

Ao longo da semana, o Laboratório Sensorial Culinário recebeu no Sesc Avenida Paulista 80 famílias em quatro oficinas para os pequenos e 40 crianças nas duas oficinas direcionadas aos maiores.


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